Cusco;

adj. s. m. 1. Que ou aquele que é excessivamente curioso em relação a algo ou alguém, intrometendo-se de forma indiscreta para satisfazer a sua curiosidade. = abelhudo, bisbilhoteiro;

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

CONSIDERAÇÕES PESSOAIS SOBRE FINAIS DE ANO – PARTE I


Percebi que com o tempo o sentido que permeiam as festas comemorativas de encerramento anuais, tem faltado para comigo. Faz tempo que mudei de crenças e percebi extremos que modificaram minha fé em determinados conceitos.  Mas aqui, já não existem simbolismos no chamado natal. Aqueles ideais, para muitos religiosos e que para mim não passam de necessários e úteis, ao menos uma vez por ano – à fim de simularmos humanidade e convívio.  Tanto hoje, o que me faz lembrar o mês final são as intenções materiais -  aquelas que fazem das ruas comerciais de qualquer cidade um belo caos. Lembro-me de pedir, desejar, possuir. Fazemos nossos papeis de consumidores com total exatidão. Não, não nos culpemos. Participamos ativamente, querendo ou não, da massa que por influência excessiva de anúncios, propagandas, comerciais, promoções, ofertas e 60 dias pra pagar, se entrega ao prazer mais contemporâneo, e certamente por ora trivial – o da aquisição. Assim como no dia das crianças, aumentam os anúncios de brinquedos, no que inicialmente era comemorado como data extrema católica, aumentam anúncios de tudo quanto é produto.
Lembre-se de presentear, mas  também é preciso agradar. Nada como ganhar presentes de natal que não são de nosso agrado, não é mesmo? Aquela meia que alguém da família sempre dá. Ou a camiseta com estampas feias, de quem te tirou no amigo oculto. Melhor ainda é quando a gente nem participa deles – por medo de tirar aquela pessoa indesejada.  Vá ao shopping e tire sua foto com o símbolo máster do natal (não estou falando do Peru e muito menos daquele menino Jesus) Papai Noel por vinte reais.
                Nessa época, você sai para escolher os seus presentes, faz aquela lista. E no meio das inúmeras visitas a lojas, quase sempre, bem cheias, não é que você se perde no objetivo e acaba encontrando coisas com a qual gastaria todo seu capital com destino certo, só com objetos para você? Quão generoso você pode ser. Essa questão de presentes é bem curiosa, por mais que não haja cordialidade diária ou anual com suas relações, pode aparecer um dinheirinho ali, um pacotinho acolá, todos enviados pelo intermédio de outra pessoa, mas que fique claro..você foi lembrado. Nada tem a ver com presentear seu afilhado, neto,  filho por obrigação social.  O que espanta é a dificuldade que se tem de sair do sistema. Por mais que se responda “ não, eu não quero nada” àquela velha pergunta cordial “ei, o que você vai querer?”, é nulo. Quase inútil resistir, você ganhará algo. Sempre. Porque a idéia de presentear – com qualquer coisa, e às vezes esse indefinido é um perigo real e iminente de presentes gregos – é atual e se disseminou rapidamente. Veja bem, eu gosto de ganhar coisas, presentes são bem vindos quando no sentindo real e bruto da palavra. Presentes de/com afeto e intenções. Não essa corrida maluca que vejo todos os dias do mês de dezembro por adquirir o maior número de sacolas – lê-se: porções natalinas – possíveis. Afinal, crescemos com isso. Desde crianças aprendemos que quanto maior a caixa, maior será o amor que sentem por nós, não é mesmo? 
 Tão logo, sejam todos bons meninos,  aproveitem seus presentes natalinos, achem um significado para eles ou não.